"No Chakra Anahata começamos a aceitar
e amar incondicionalmente.

Realizamos que apesar das diferenças,
tudo é manifestação da perfeição.

Amamos as pessoas, 
amamos a vida pelo o que ela é."

- Swami Satyananda Saraswati

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Yoga é o controle das oscilações mentais, de forma que possamos manter a nossa mente continuamente no presente. Para isso, a prática do desapego das coisas transitórias é essencial.

No sutra 12 do capítulo I do Yoga Sutras, Patanjali diz:

“As alterações mentais são contidas pela prática (abhyasa) e desapego (vairagya).” (YS, 12.I)

Dessa forma, para progredir no caminho da Yoga é necessário, além da regularidade, a prática do desapego.

O desapego é a prática de manter a mente equânime diante de situações que normalmente nos atraem. A nossa mente tem uma atração natural pelas coisas que chegam a ela através dos órgãos dos sentidos. Vemos ou ouvimos alguma coisa e, se a mente gosta, vem aí o tal do apego. A mente se apropria do objeto e, quando se vê longe dele, sofre.

A finalidade última da prática de Yoga é elevar a consciência do indivíduo para que possa, enfim, conseguir meditar. Mas, como se sabe, é muito difícil meditar. Por quê? Porque a mente não está acostumada a se ver livre de todos os objetos que é apegada. É difícil meditar por causa do imenso apego que temos a uma infinidade de coisas. Apegamos-nos ao nosso nome, personalidade, familiares, relacionamentos, dinheiro, profissão,  ideais, objetos, a tudo o que é transiente e agrada ao nosso ego.  Esses diversos apegos causam ondulações mentais (pensamentos) que dificultam estágios mais profundos de meditação.

Todo crescimento exige transformação. E precisamos dar espaço para que essa transformação ocorra. Assim, temos que nos livrar de velhos apegos para que possamos crescer. Temos que nos livrar de todos os desejos de ganho pessoal para enfim alcançar a verdadeira meditação.

Todos os nossos desejos pessoais nos aprisionam no ego e causam inquietação. As Escrituras Védicas dizem que até o desejo de liberdade é escravidão: mokshabhsko bandhaha. Mas, então, como manter a mente livre de desejos?

É improvável que isso aconteça. Se temos que ter desejos, então, podemos redirecioná-los para fins mais elevados que a satisfação de nosso ego. Que eles possam ser sem motivação pessoal, visando o bem estar de todos.

É comum confundir desapego com indiferença. Mas indiferença é o oposto do desapego. Indiferença é retração da mente, um egoísmo que cria uma barreira entre o indivíduo e o mundo. Desapego é expansão da mente e dá espaço ao altruísmo, que lhe permite verdadeiramente se conectar com o mundo ao servir os próximos sem a barreira do ego.

Porém, não é tão simples praticar o desapego. Essa é uma virtude que leva tempo para ser desenvolvida. Sri Ramakrishna nos ensina que é impossível exercitar o desapego sem uma disciplina espiritual. É necessário recolher-se em solidão esporadicamente para desenvolver esse desapego. Seja um ano, 6 meses, 3 meses ou um final de semana. E nem que isso seja possível, recolha-se por 30 minutos por dia, já é algo.

As atrações do mundo são muito fortes para tentarmos o desapego. Precisamos de prática espiritual e de algumas experiências espirituais que nos tragam lampejos da real liberdade. Esses lampejos podem vir numa forma de paz nunca antes experimentada ou insights. Ao experimentar esses lampejos, naturalmente nos desapegamos das coisas transitórias do mundo que nos distraem da essência. Vamos deixando para trás tudo aquilo que não é nosso, para ficar apenas com o Presente. Enfim, livres.  

Hari Om Tat Sat


Livros utilizados como base para quem quiser se aprofundar:

Meditation and Spiritual Life - Swami Yatiswarananda - Ramakrishna Advaita Ashrama

Complete Works of Swami Vivekananda -  Ramakrishna Advaita Ashrama

Os Sutras do Yoga de Patanjali - Sri Swami Satchidananda

Gospel of Sri Ramakrishna

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