"No Chakra Anahata começamos a aceitar
e amar incondicionalmente.

Realizamos que apesar das diferenças,
tudo é manifestação da perfeição.

Amamos as pessoas, 
amamos a vida pelo o que ela é."

- Swami Satyananda Saraswati

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patanjali 3
Yamas e Niyamas são o pilar de sustentação para aprofundar-se na prática de Yoga e que, se aplicadas sinceramente na vida prática, nos guiam no sentido da ação correta, da ação virtuosa, que nos faz percorrer a jornada da vida com paz e sabedoria.

Patanjali, um sábio indiano, compilou as principais técnicas de yoga praticadas em sua época (provavelmente 150 d.C.) no texto Yoga Sutras, aonde sistematizou oito passos essenciais neste caminho para o estado de equilíbrio através de Yoga:

1 – Yamas (restrições externas)
2 – Niyamas (observâncias internas)
3 – Asana (posturas físicas)
4 – Pranayama (controle da energia vital por meio da respiração)
5 – Pratyahara (introversão dos sentidos)
6 – Dharana (concentração)
7 – Dhyana (meditação)
8 – Samadhi  (estado de superconsciência) 

Então, vemos que os Yamas e Niyamas são os primeiros passos mencionados por Patanjali na busca deste estado de equilíbrio interior. Constituem a verdadeira base para trilhar com harmonia esta jornada de autoconhecimento, que permitirá ao Yogi gradualmente se reconectar com a essência que está dentro de si e dentro de todas as coisas.


Yamas e Niyamas são condutas éticas que, se colocadas na vida prática, nos permitem superar os obstáculos criados pelo ego, livrando-nos de pesos desnecessários criados pela mente e assim finalmente viver em paz.
 
YAMAS
 
Yamas são comumente traduzidos como "restrições externas". São ideais que orientam as nossas relações com o mundo externo, almejando um estado de paz e equilíbrio. Os Yamas mais conhecidos são:

Ahimsa: não violência em pensamento, palavras e atos. Fumar, por exemplo, pode ser visto como um ato de agressão contra si mesmo e aos demais que estão ao redor.  Respeitar os seus limites durante a prática de Yoga também é visto como um ato de ahimsa.

Satya: verdade em pensamento, palavras e atos. O seu eu exterior e seu eu interior passam a agir em harmonia, em vez de idéias contraditórias. Por exemplo, quando sabe que errou em alguma situação, seja sincero com todos e peça desculpas. Manter uma aparência externa que não condiz com a sua consciência interna só lhe trará conflitos psicológicos desnecessários.

Asteya: não roubar em pensamento, palavras e atos.  Por exemplo, um professor que chega constantemente atrasado para dar aula está roubando o precioso tempo de seus alunos, que tiveram consideração de chegar com antecedência.  E vice-versa.

Aparigraha: ausência de ganância em pensamento, palavras e atos. Significa não possuir coisas desnecessariamente. Será que o seu último tapetinho decorado de yoga é tão necessário assim? Ou é apenas para fazer um estilo que lhe traz um peso desnecessário?

Brahmacharya: a conduta que leva a Brahman, a essência que permeia tudo e de todos. Significa não desperdiçar o uso de nossos sentidos excessivamente em atividades mundanas, mas sim utilizá-los para perceber a própria essência que as constitui. Fechar os olhos e manter uma atenção serena sobre o exato momento talvez torne mais fácil a compreensão da essência das coisas. Olhar-se no espelho e comparar sua asana com a de seu colega parece não ser tão importante assim, entende?
 
NIYAMAS
 
Niyamas são comumente traduzidos como "observâncias internas". São ideais que orientam as nossas relações com o mundo interno, almejando um estado de paz e equilíbrio.Os Niyamas mais conhecidos são:

Saucha: pureza do corpo e mente.  Por exemplo, não basta apenas um banho para remover nossas impurezas físicas.  Ainda mais importante é o banho mental para remover as impurezas e sentimentos negativos acumulados. Limpar o externo sem limpar o interno de nada vale para uma vida em paz.  A prática integral de yoga pode ser vista como um excelente exemplo de purificação do corpo e mente.

Santosha: contentamento. Apreciamos o presente do jeito que ele é e não como “deveria ser”. Apreciamos cada momento que nos é dado nessa vida independente das circunstâncias, sejam elas aparentemente positivas ou negativas. Praticando Yoga, por exemplo, podemos nos contentar com o grau de flexibilidade de que temos hoje em vez de ultrapassar nossos limites a ponto de se machucar. O contentamento lhe permite finalmente relaxar e apreciar o presente da forma que ele é, aproximando-o cada vez mais de sua essência.

Tapas: austeridade. Esforço pelo qual criamos um fogo purificador que aumenta nossa confiança e força de vontade. Por exemplo, acordar diariamente antes de o sol nascer para meditar pode ser considerado uma forma de tapas.

Svadhyaya: estudo dos textos espirituais e de si mesmo. Todo conhecimento envolve reflexão que influencia nossos próprios comportamentos e maneira de pensar. Estudo sem reflexão é apenas uma coleta desnecessária de informações mal-digeridas.

Ishvara pranidhana: devoção, ou constante atenção sobre a presença Divina. É reconhecer que toda a criação é uma manifestação da consciência Divina. Ao comermos, ao escutar uma música, ao respirar, ao meditar podemos nos lembrar da existência dessa energia suprema que sustenta tudo e todos.

A prática de  yamas e niyamas nos auxilia a trilhar a vida em harmonia, com os outros e consigo mesmo. Eles não são mandamentos cuja quebra seria considerada um “pecado”. São apenas meios para percebermos que toda ação tem sua conseqüência e que podemos naturalmente aprender com essas conseqüências se levarmos a vida com sabedoria e simplicidade.

Hari Om _/\_

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