"No Chakra Anahata começamos a aceitar
e amar incondicionalmente.

Realizamos que apesar das diferenças,
tudo é manifestação da perfeição.

Amamos as pessoas, 
amamos a vida pelo o que ela é."

- Swami Satyananda Saraswati

.

belgoria-slum

Visitei a favela do lixão de Belgoria aonde o Swami Nityasatyananda, que carinhosamente chamo de Swami Hobin Hood, está tocando corajosamente um projeto com as crianças. Senti a pobreza pela primeira vez na pele, ou melhor na boca, através do sabor azedo do arroz que uma doce menina colocou na minha boca.

Assim se passou, ela querendo ser hospitaleira colocou na minha boca uma colherada do almoço que estava comendo, um arroz azedo cozido com água suja. Pesado e intenso.

O sabor acessou o sentimento de quando fui conhecer de perto o projeto de viúvas menores de idade: o choque e o auto-controle para segurar as lágrimas. Assistir um documentário na televisão é distante, muito distante...

O cheiro é insuportável, milhares de moscas por todos os lados, a água que utilizam para lavar os pratos é preta, cheia de resíduos das fábricas que ficam ao redor. E eles ainda têm que pagar um "aluguel" para montar o barraco minúsculo de no máximo 3 por 2 metros. Como disse meu amigo: "Como explicar sobre Deus para crianças que vivem numa situação como essa?". Isso é a vida para elas, é desumano, surreal, não tenho palavras. Levei um bom tempo para digerir o que vi, o cheiro, a sujeira, a energia pesada da miséria. Acalmei minha mente e coração com os sábios conselhos do Swami Damodharananda de Bellur.

Conheci o Swami Nityasatyananda através de um querido amigo de coração de ouro que está na luta para arrecadar fundos para apoiá-lo. 80% dos fundos desse projeto vem apenas dos ex-alunos de um outro projeto profissionalizante que ele administra para a Missão Ramakrishna. É de impressionar o trabalho que esse Swami faz. Karma Iogue incansável, mesmo sendo ameaçado por pressão do governo para a Missão demití-lo por ele "estar causando problemas na favela", ele dá a vida dele para a educação dessas crianças e os resultados são impressionantes.

Das 120 crianças que ele subsidia da favela (ele tem que pagar para os pais o valor do trabalho que a criança traria para a família se estivesse trabalhando no lixão ou pedindo esmolas), apenas 1 não está indo para a escola. Para quem já trabalhou com esse tipo de projeto, esse número é praticamente um milagre.

Dentro do carro a caminho à favela conversei brevemente com um aluno do projeto profissionalizante que estava nos auxiliando. Perguntei o que ele queria fazer depois de se formar. E supreendentemente ele respondeu: "Não quero sair daqui, aqui é o paraíso."

Se você ficou interessado em conhecer mais sobre o projeto ou apoiar através de doações ou voluntariado posso te encaminhar, me mande um email. Vamos utilizar a ferramenta divina a nós proporcionada para apaziguar o sofrimento dos que nos cercam. A bondade embeleza a vida. Seja de quem faz, de quem recebe, de quem vê, de quem não vê.

ॐ Ao utilizar um artigo ou trecho cite a fonte e pratique um bom karma ॐ

Arquivo do Blog

Receba novidades por email